Global Metal

2 11 2009

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Acabei de assistir esse documentário sensacional do antropólogo Sam Dunn.O mesmo Sam Dunn que fez “Heavy Metal: A Headbanger’s Journey”.E fiquei pilhado com o filme.Ele mostra como as cenas de música pesada refletem a situação social do local em que ocorrem e como o metal e afins se refletem nas diversas culturas ao redor do globo.Eu achei esse filme sensacional, uma vez que não abre a boca pra falar sobre os E.U.A. ou a Europa.Foca em países onde esse tipo de música é um tanto estranha, mal vista ou por lei, não deveria nem existir.Os países dos quais ele trata são os seguintes: Brasil, Japão, India, China, Indonésia, Irã, Israel e Arábia Saudita.

Farei uma breve sinopse sobre os acontecimentos em cada um deles:

No Brasil, mostra como a liberdade de expressão pós-ditadura veio junto dos primeiros lançamentos do metal nacional.Mostra também como o Brasil lá fora virou além do país do samba, o país do Sepultura.Banda que mescla elementos da musicalidade brasileira como o baião, o maracatu, o samba e ritmos indígenas com guitarras fortes e batidas pesadas.Ele criou uma verdadeira identidade, é tão singular que é a banda de rock do brasil mais cultuada no exterior.Estranhamente mais cultuada do lado de fora do que do lado de dentro, por sinal.

No Japão, esse estilo se misturou com a cultura de tal forma que deu corpo a algo que é realmente único.O que dão o nome de Visual Kay, ou só VK.Vo falar um negócio, eu não sabia bem o que era visual kay até ver esse documentário😄.Eu era fã, mas não entendia muito bem.Mesmo entendendo agora, é meio difícil de explicar o que é.É tipo um glam rock com roupas bem mais legais, só que não tem nada a ver com glam rock😄.Ah!Sei lá!Vê o documentário, ou ouve Sex Machineguns e X-Japan que ai você entende.O que eu mais gostei de lá é que não há preconceito em relação ao metal.O único preconceito que existe mesmo para com o metal é dentro do próprio metal.Lá é tipo assim: Metal tradicional X Visual Kay .É tenso =P.Os japoneses são instigantes, ainda quero entender eles.De verdade.

Na Índia, é incrível ver como o contraste com a cultura indiana é forte.Como música pesada na Índia é algo relativamente novo, há muito preconceito com os que foram fisgados para dentro da cultura perdida.Os pais não sabem o que fazer com os filhos que escutam a dita música profana, os filhos por sua vez não estão nem aí.Querem mais é se rebelar num país miserável, cheio de conflitos étnicos e incrivelmente preconceituoso graças a maior babaquice já criada desde o apartheid, o sistema de castas (não é mais previsto por lei, mais ainda gera muito preconceito).

Na China aparentemente é o único meio artístico que critica explicitamente a ditadura do PCC, a corrupção dentro do país, a questão do abandono social e a falta de liberdade de expressão.Além de ter esse apelo político e social, as bandas são realmente muito boas.Fiquei apaixonado por uma em especial, a tal de Tang Dinasty.Ela é tipo um sepultura de lá, que une a música tradicional chinesa música pesada.

Na Indonésia, a ditadura militar é o alvo das músicas.Você não pode ser você lá.Eu acho ridículo, eles também.A situação é muito parecida com a China, mas lá eles não estão nem aí pra serem presos ou o caralho que for.Lá é tipo, eu odeio essa merda de estado repressor que só fode a minha vida, então quer se foda tudo e todos mesmo.É tipo bem assim, mesmo.

Em Israel a música é bem mais negra.Tem um tom muito mais emocional que em qualquer lugar que eu já vi.Reflexo de tudo que se passa por lá, desde atentados terroristas até as divergências das 3 religiões que de alguma maneira vivem juntas.

No Irã e na Arábia Saudita chego até a rir.Lá ainda paira a noção de ” metal música do capeta “.Se você for pego com uma camisa do Slayer em qualquer um desses países é tipo assim, prisão perpétua.Esse é o problema de um Estado teológico.Ele sempre tenta suprimir o povo a uma aceitação forçada as leis religiosas que não fazem muito sentido na sua maioria das vezes.Isso sempre gerou merda, não é agora que vai ser diferente.E não está sendo aparentemente.

O filme é muito mais que isso, óbvio.Para quem quiser baixar tái o link:

http://www.megaupload.com/?d=903SNWD2

Acho lindo de ver uma coisa dessas.O estilo de música que mais amo sendo forma de resistência no mundo todo, de diversas maneiras.Independente da cultura em questão, o metal sempre será banalizado de alguma forma.Porque sempre será música de quem não se conforma, de quem quer mudar.

Independente também do lugar no mundo, a cultura do heavy metal é uma só.Adoro fazer parte dela, embora eu não seja lá o que chamam de metaleiro por assim dizer.Mas é nela que eu me sinto confortavel, é nela que acho refúgio, é nela que eu exalo o que me deixa nervoso, o que me deixa triste, o que me deixa com medo.É nela onde acho um lugar realmente familiar, um lugar de transcendência.E é assim que é visto o metal pelos milhares de fãs desse estilo ao redor do globo.

A música pesada é como o céu acima de nós, é um para todos, e todo para todos nós.

by Vinícius Leite


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One response

3 11 2009
Michel

irado, Leita!
Tô baixando o filme pra ver!!
Quero ver como é o metal chinês, ahuahua.
\../

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